- Entrevista com Rodrigo Fiúza
O aventureiro profissional Rodrigo Fiúza, mineiro de Belo Horizonte, percorreu a distancia de 87000 km e 34 países em uma pequena moto 125 cc, instrutor de esportes radicais, já se aventurou pelo mundo em cima de uma moto, uma bicicleta e até de canoa. No dia 31 de agosto, Rodrigo Fiúza, com apenas 33 anos de idade, se tornou o recordista mundial de volta ao mundo mais rápida em cima de uma motocicleta no quesito viagens épicas. Em apenas 90 dias, ele atravessou todo hemisfério norte do planeta, saindo de Lisboa, cortando toda Europa, Rússia, atravessou a inóspita e temida Sibéria, Ásia ate chegar à Nova York. A aventura se tornou mais desafiante ainda por ter sido realizada em uma pequena moto 250 CC. A chegada foi feita em pleno palco do evento Brasilian Day em Nova York, onde Fiúza agradeceu o apoio e forca do povo brasileiro durante a jornada.
Segue agora uma entrevista com Fiúza, realizada por nosso grupo, na Universidade UNA, em Belo Horizonte, no dia dois de novembro de 2008:
Grupo:
Você considera que a prática, o vivenciar é mais importante do que teorizar?
Fiúza:
Eu acho que para você ser perfeito, você deve aliar os dois, eu acho que um anda junto com o outro. Às vezes, quando eu planejo um projeto, eu entro naquela parte didática, de consultar livros, de consulta a Internet pra saber informações, mas na verdade, na hora, a prática ela é diferente dos livros, então eu acho que a prática caminha junto com a teoria, você não alcança nada sem a teoria, mas sem a prática, muito menos. Eu acho que caminham paralelamente, mas que sem dúvida se você não souber lidar com as situações de maneira prática, realmente você não tem um êxito.
Grupo:
Então a sua idéia seria de um planejamento prévio, mas que a real importância seria depois poder ver e sentir isso?
Fiúza:
É porque a teoria é algo que você tem simplesmente na sua cabeça, quando você cai na vida os obstáculos são completamente diferentes, você tem de lidar com situações que você não esperava, pessoas que você não conhece, então realmente, quando você cai na vida você precisa ter aquela prática de como lidar com as coisas, com os riscos, você saber administrá-los ali, na hora real.
Grupo:
Em nosso filme, o Livro estará preso em seu mundo, então haverá um momento em que algo o estimulará a sair, um momento em que o libertará, na sua situação, qual foi o momento que te estimulou a buscar essa liberdade? Houve barreiras?
Fiúza:
O que me estimulou foi à realização de um sonho pessoal, uma maneira de vida que realmente imaginava pra mim. As barreiras foram as de qualquer profissional, em primeiro por eu ser um profissional desconhecido, por possuir uma profissão desconhecida na época, então a principal barreira pra mim foi eu não saber o caminho, não é uma profissão que tenha um banco universitário, foi à dificuldade de não saber que caminho seguir para conseguir êxito. Eu comecei tudo sozinho, então eu tive que superar essas dificuldades para me tornar um profissional conhecido e, além disso, tinha a dificuldade de conseguir conquistar esse mercado, que era o desconhecido da realização do projeto. Então eu tinha que superar o antes, que era o planejamento, que era a viabilização do projeto e o durante que era a realização, que já trazia outras surpresas. Isso é uma coisa muito delicada, pois foram dez anos que eu tive que obter êxito, porque qualquer fracasso que eu tivesse, em qualquer expedição, ia tudo por água abaixo, tudo o que eu tinha plantado ia por água abaixo.
Grupo:
Você acha que, hoje, a sociedade tem medo de enfrentar essas barreiras e buscar os seus sonhos?
Fiúza:
As pessoas deixam de procurar o incomum e seguir os seus sonhos por não acreditarem. Às vezes elas sentem aquilo como algo muito distante e como elas não acreditam não conseguem lidar com o insucesso momentâneo, então às vezes nós procuramos alguma coisa e o sucesso ele não vem de uma hora para outra, o sucesso é uma semente e você tem que irrigar e isso vai crescendo, então você precisa aprender a superar todas as decepções que existem durante o caminho. Às vezes as pessoas sonham com coisas diferentes, mas como tem um emprego tradicional, elas vêem ali um jeito mais fácil de lidar com essas decepções, mas quando você está lutando por um ideal seu, você não tem ninguém para te ajudar em uma decepção, você tem de contorná-las por conta própria, então esse medo faz com que elas se prendam nessa vida tradicional.
Grupo:
Você concorda que as pessoas acabam se acomodando na vida que levam e preferem deixar os sonhos pra mais tarde?
Fiúza:
Acabam se acomodando e levando uma vida frustrada, uma vida da qual não queriam. É difícil você encontrar um profissional que te afirma que trabalha no que quer, que vivem o que gostariam, elas trabalham porque ganham um dinheiro ali, que muitas vezes nem esse dinheiro compensa o que ela faz, então o nosso papel é exatamente ajudar as pessoas a acreditar nos seus sonhos e tentar realizá-los.
Grupo:
Você se consideraria uma pessoa feliz com o seu trabalho?
Fiúza:
Eu sou feliz porque trabalho com o que eu quero, mas eu não me considero realizado completamente, aliás, eu acho que nunca vou me sentir assim. Sempre que eu realizo um sonho, vem outro sonho, então eu acredito que meu caminho ainda é grande, apesar de eu ter me tornado um aventureiro profissional as minhas ambições de ajudar a melhorar o mundo, acho que ainda tenho muito que seguir, eu estou no caminho pra me realizar, eu trabalho no que gosto, eu faço o que gosto, mas eu ainda não tenho todos os meus objetivos realizados.
Grupo:
Você poderia explicar como funciona a sua ONG e o trabalho que ela realiza?
Fiúza:
A ONG chama-se Fundação Rodrigo Fiúza Para Paz e Meio-Ambiente, a ONG nasceu porque víamos que muitas vezes nós esbarrávamos em credibilidade de empresas, porque tem empresas que liberam verbas para instituições e através da ONG nós temos mais forças para estar captando verba, como também pra promover ações. Ela é uma instituição pública, então com ela nós temos mais força pra cumprir os nossos objetivos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário